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O diretor para o Brasil do Bird (Banco Mundial), John Briscoe, criticou ontem em Belo Horizonte o governo brasileiro, afirmando que o país tem taxas altas de juros, que gasta mal apesar da arrecadação alta e que a porção mais pobre da população não está sendo devidamente beneficiada. Segundo Briscoe, o governo não consegue ser eficiente na gestão da máquina pública. "Como é que a máquina pública não consegue produzir melhores resultados em saúde, educação, infra-estrutura? Então, por isso, toda a parte que trata da gestão pública, com esse dinheiro, pode dar resultados melhores. É um desafio absolutamente fundamental para o Brasil", disse. Briscoe enumerou os dois "problemas fundamentais" do país: as "taxas [de juros] muito altas" e o uso que é dado ao dinheiro arrecadado. Destino "O que se pergunta é em que se usa aquele dinheiro todo, qual é o resultado", questionou Briscoe. O próprio diretor do Bird arriscou explicações sobre o destino de parte da arrecadação do país, citando uma parcela "relativamente pequena" para o pagamento da dívida externa e uma parte "muito grande" destinada à Previdência Social. E essa parte que vai para Previdência, conforme disse, "não vai para as pessoas mais pobres". Ele, então, acrescentou: "Uma reforma previdenciária é essencial". Briscoe disse que o gasto público de muitos outros países, como o México, representa a metade ou menos do que gasta o governo. Financiamento O diretor do Bird assinou com o governo de Minas contrato de financiamento no valor US$ 170 milhões (R$ 357 milhões), que serão destinados à execução de projetos estruturadores. A novidade desse financiamento é que o governo mineiro está liberado de apresentar contrapartida em dinheiro. A contrapartida que o Estado vai ter será melhorar os indicadores sociais, como segurança, saúde, educação e ambiente. Metas para esses indicadores serão definidas. |