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A passagem do Dia Mundial dos Refugiados terá no Brasil um significado especial este ano. Após seis anos fechado, o escritório do Acnur no país reabriu as portas há dois meses e meio, como mais uma ferramenta para auxiliar os 3.200 refugiados que buscaram asilo em terras verde-amarelas. Amanhã, em parceria com a arquidiocese, o órgão da ONU vai realizar uma feira de saúde e lazer para os refugiados, a maioria dos quais — aproximadamente 2.000 — encontra-se no Rio de Janeiro, sendo o maior contingente composto de angolanos. Um dos primeiros países a aderirem à Convenção da ONU Sobre o Status dos Refugiados, de 1951, o Brasil tem uma das mais modernas legislações do planeta sobre o tema, segundo quem atua na área. Por aqui, como em boa parte da América Latina, é a Igreja Católica que coordena o auxílio às pessoas que buscam asilo, por meio da Caritas. O governo federal, por sua vez, atua no âmbito do Comitê Nacional para Refugiados (Conare), que reúne representantes da sociedade e dos ministérios para elaborar políticas públicas para as pessoas asiladas em território brasileiro. — O Brasil é um país exemplar nessa área — elogia Cândido Neto, diretor da Caritas no Rio. — O refugiado aqui tem direito a atendimento na rede hospitalar pública, a escola pública, a carteira de trabalho, o que constitui um avanço extraordinário. Em muitos países isso não acontece. Falta de sensibilidade com refugiados ainda é problema No entanto, ele aponta questões ainda mal resolvidas nessa área. A dificuldade maior enfrentada pelo Acnur e pela Caritas no Brasil, diz, é falta de sensibilidade da população para o drama dos refugiados, que se manifestaria na dificuldade de conseguir emprego ou no preconceito. — A sociedade desconhece o problema dos refugiados porque tem memória curta. Já esquecemos que fomos um dia geradores de refugiados. |